segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

TEMPO


TEMPO

Sinto o silêncio da nossa amizade
Que aos poucos se cala
Por falta de tempo!

E neste mundo aparente
Em que todos giramos
Não encontro gente
Por falta de tempo!

Já não olho em redor
Para trás não olho mais.
Caminho sempre em frente
Não paro.
Por falta de tempo!

Já não oiço tua voz.
Bater teu coração.
Já não toco tua pele.
Com a mesma emoção.
Não vejo o brilho dos olhos.
Nem teu sorriso nos lábios.
Já não sei o que sinto.
Por falta de tempo!

Mas…

Se o tempo me der tempo
Fico parado
À espera que o tempo passe.
E a teu lado
Com saudade
Ouvir… em silêncio
A voz da nossa amizade.

Fátima Negrão in "Poética" Vol.I
Editorial Minerva, 2012

 

 

 

 

 

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

INCERTEZAS


INCERTEZAS

Do teu amor,
Não tenho a certeza.                                                    
Já do meu,                                                                   
Nunca duvido.
Mas esse mar de incertezas
Faz de mim própria
Duvidar.

Trocamos beijos,
Molhados.
Dentro de mim
Sinto um turbilhão,
Que espalha em fúria
No meu corpo,
Mil carícias.

O teu calor
Percorre o meu corpo,
Lentamente…
Queimando de mansinho.

Mas o teu calor
Não apaga as dúvidas…
As incertezas,
Alguma dor!

E sinto ainda o medo,
De enfrentar de novo,
Esta sede de amor!


Fátima Negrão, in "Pedaços"
Edição de Autor, 2007
 
Ilustração de SãoJosé


HÁ DIAS



 

Há dias,

Em que à noite

Se procura Alguém,

E ninguém se encontra.

 

Em que as horas

São longas…

Infindas…

São momentos,

Que não se esquecem.

 

Dias…

De vida intensa.

De fortes emoções.

Em que estar só,

É enorme sofrimento.

 

Dias…

Em que à noite

Se encontra Alguém

Sem ninguém procurar.

 

Dias…

Em que à noite

Não se pode adormecer,

Para não esquecer,

De viver!

E amar!

 

Fátima Negrão, in “Pedaços”.

Edição de autor, 2007

sexta-feira, 5 de abril de 2013

SEI QUE TE PERTENÇO


SEI QUE TE PERTENÇO
                                   
De noite,
Ilustração de São José
Perdida na imensidão
Do quarto,
Sonho acordada
Nos sonhos que fiz
E desfiz,
Num só dia!

De noite,
Penso na vida,
Sofrida,
Tão calada!

De noite,
Falo sozinha.
Partilho contigo
A solidão,
Invento até uma paixão!

De noite,
Penso em ti
Que em mim não pensas.
Invento o meu amor
Perfeito.
Sem defeito!

De noite,
Adormeço.

E de manhã, ao acordar,                                                   
Sei que te pertenço!                                      Fátima Negrão, in “Pedaços”
                                                                       Edição de autor, 2007
BEIJEI O SOL


Quando tudo se transforma
Numa só noite,
Só porque um dia…

Em teu ombro pousei,
Tudo o que sentia!

Teu rosto beijei,
Tão docemente!

Tua mão toquei,
Timidamente!

Teu corpo abracei,
Ardentemente!

E teu olhar senti,
Dentro de mim!

Quando tudo se transforma
Numa só noite,
Só porque um dia…

Ao acordar… beijei o sol
Para te ir beijar!




Fátima Negrão, in “Pedaços”.
Edição de autor, 2007

domingo, 31 de março de 2013

MENDIGA



Pobre de amor,
Vou mendigando as carícias
Que outros desprezam!

Pobre de amor,
Vou mendigando palavras ternas
Que outros recitam!

Pobre de amor,
Vou mendigando compreensão.
Mas amor,
Esse não,
Ninguém mo dá!
Pobre de amor,

Vou mendigando compaixão.
Mas amor,
Esse não,
Ninguém mo dá!

Pobre de amor,
Vou mendigando…
Mas tudo o que me dão
Vai aumentando esta dor.
Mas amor,
Esse não,
Ninguém mo dá!

Fátima Negrão, in “Pedaços”.
Ilustração de São José
Edição de autor, 2007